Por que eu escrevo?

CHBLACKSMITH


Há um tempo atrás eu me fiz essa pergunta diante de uma vontade de desistir. Ná época eu não buscava sucesso financeiro com a escrita, mas eu precisava de uma forma de aumentar o meu tempo escrevendo, e consequentemente, eu precisava fazer com que a escrita se tornasse a minha principal fonte de renda.

E diante de diversas dificuldades para conquistar esse espaço foi quando pensei “será que eu realmente preciso disso?”, “por que eu ainda estou pensando nisso?”. E me vi imaginando um cenário onde eu não precisaria mais escrever. Esse novo ambiente era frio, cansativo, monótono demais e sufocante. As minhas ideias seriam guardadas em algum compartimento oculto, acúmulo. Eu teria que me afastar do aprendizado. Eu teria que me afastar de qualquer coisa que me levasse a pensar um pouco além de uma conversa casual. E eu tentei.

Passei um tempo sem escrever. Em pouco tempo eu pensei “eu acho que funciona”. De repente eu me acordo de um pesadelo, um sentimento estranho de ter vivido algo que eu nem me recordava completamente. Olhei pra um canto da mesa e meu caderno de sempre estava me olhando “eu já não tinha guardado ele?”. Comecei a escrever sobre… o título era sempre o primeiro a surgir. Algumas páginas depois de um desabafo, era um conto. Eu não me lembrava da minha meta, apenas escrevi. Corri para o computador e transcrevi toda a história. Imprimi rápido e entreguei para a minha esposa.

— Hallan, isso aqui tá incrível. Para quem tava querendo desistir…

Eu olhei para ela e sorri. Me lembrei que eu estava convícto. Eu queria parar, isso me ajudaria a ganhar mais dinheiro, a me estabilizar financeiramente, sem outras ideias para investir tempo, sem ter que ficar preocupado com correções, com vocabulários, capas e afins. Eu me lembrei que havia sido a sensação de impotência que me fez pensar assim, mas por que eu escrevo de verdade?

Hoje eu sei responder. E com certeza é pelo mesmo motivo de eu estar escrevendo esse post. Eu preciso disso. Eu preciso conversar comigo mesmo, eu preciso esvaziar a minha mente diáriamente para não viver na imaginação constante.

— Eu acho que você nunca deve parar — Disse minha esposa ao terminar uma continuação para aquele conto.

— E o que você acha que eu tenho que fazer?

— Faz desse conto um livro. Como vai se chamar?

Sorri envergonhado. Eu sempre sabia dos meus títulos, das mensagens que eu gostaria de passar e todo o desejo de expressar sensações enquanto as sinto escrevendo. Olhei para ela de novo, e pensei se deveria revelar assim, tão fácil, mas não resisti:

— O Andarilho Clemente…